Museu de Favela
Fevereiro de 2009
Subindo o elevador do CIEP de Ipanema, que fica no final da Rua Barão da Torre (um dos berços da Bossa Nova), chega-se à quadra da Escola de Samba Alegria da Zona Sul situada no complexo comunitário do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho. Sábado, pré-carnaval, e na orla da praia desfila o bloco “Simpatia é quase amor” (adoro o nome desse bloco) e, no pé e no alto do morro, as obras do metrô avançam com seus túneis, poeira e lama.
É dia da inauguração do MuF - Museu de Favela, planejado, organizado, fundado e gerido por amigos e moradores das três favelas, e da abertura da exposição Um Despertar de Alma e de Sonhos, Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. http://mais.cultura.gov.br/2009/02/13/mais-cultura/
Reunidos na quadra, encontravam-se eu e Cristiane (dinamizadora da Brinquedoteca Volante do Horto), políticos, professores universitários, representantes da regional do MinC, lideranças de outras comunidades, representantes de Ong’s, equipe do DEMU- Departamento de Museus do IPHAN, inúmeros moradores entre passantes e os que acompanhavam o evento (mais velhos, mais novos, meninos que voltavam do futebol, aqueles que voltavam das compras e olhavam curiosos) e o participante para mim mais marcante... um cachorro que passeava tranquilamente entre tudo e todos. Sensacional!!
Um encontro entre moradores da cidade do Rio de Janeiro que festejavam uma conquista, ponto de partida de e para muito trabalho coletivo. Um dos muitos pontos de partida para se repensar a concepção de cidade.
Apresentaram-se grupos de street dance, dança de salão, capoeira, coral de crianças, etc. Um rapper apresentou parte do evento que deflagrou mais uma vez as contradições e os equívocos com relação aos equipamentos culturais da cidade fechados e elitizados. A quadra, no alto do bairro de Ipanema, pulsava em alegria e compartilhamento, ao mesmo tempo em que, embaixo, os primeiros gritos de carnaval estendiam-se pelas ruas asfaltadas.
Do alto da comunidade pobre vê-se uma Ipanema espremida entre o mar e a lagoa. Vista de cima, uma favela de concreto com seus terraços sem pintura, com caixas d’água e cheios de tralhas (canos de pvc e outras sobras de obras, sobras entre o utilizável e o descartável).
Prato cheio para um sábado pré-carnavalesco na cidade cartão postal do mundo. Cidade-metrópole do século XXI - pulsante, linda, aterradora, encantadora, vertiginosa, desafiante, sempre surpreendente.
Como gosto de repetir, sinto-me para sempre aprendiz.
Fevereiro de 2009
Subindo o elevador do CIEP de Ipanema, que fica no final da Rua Barão da Torre (um dos berços da Bossa Nova), chega-se à quadra da Escola de Samba Alegria da Zona Sul situada no complexo comunitário do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho. Sábado, pré-carnaval, e na orla da praia desfila o bloco “Simpatia é quase amor” (adoro o nome desse bloco) e, no pé e no alto do morro, as obras do metrô avançam com seus túneis, poeira e lama.
É dia da inauguração do MuF - Museu de Favela, planejado, organizado, fundado e gerido por amigos e moradores das três favelas, e da abertura da exposição Um Despertar de Alma e de Sonhos, Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. http://mais.cultura.gov.br/2009/02/13/mais-cultura/
Reunidos na quadra, encontravam-se eu e Cristiane (dinamizadora da Brinquedoteca Volante do Horto), políticos, professores universitários, representantes da regional do MinC, lideranças de outras comunidades, representantes de Ong’s, equipe do DEMU- Departamento de Museus do IPHAN, inúmeros moradores entre passantes e os que acompanhavam o evento (mais velhos, mais novos, meninos que voltavam do futebol, aqueles que voltavam das compras e olhavam curiosos) e o participante para mim mais marcante... um cachorro que passeava tranquilamente entre tudo e todos. Sensacional!!
Um encontro entre moradores da cidade do Rio de Janeiro que festejavam uma conquista, ponto de partida de e para muito trabalho coletivo. Um dos muitos pontos de partida para se repensar a concepção de cidade.
Apresentaram-se grupos de street dance, dança de salão, capoeira, coral de crianças, etc. Um rapper apresentou parte do evento que deflagrou mais uma vez as contradições e os equívocos com relação aos equipamentos culturais da cidade fechados e elitizados. A quadra, no alto do bairro de Ipanema, pulsava em alegria e compartilhamento, ao mesmo tempo em que, embaixo, os primeiros gritos de carnaval estendiam-se pelas ruas asfaltadas.
Do alto da comunidade pobre vê-se uma Ipanema espremida entre o mar e a lagoa. Vista de cima, uma favela de concreto com seus terraços sem pintura, com caixas d’água e cheios de tralhas (canos de pvc e outras sobras de obras, sobras entre o utilizável e o descartável).
Prato cheio para um sábado pré-carnavalesco na cidade cartão postal do mundo. Cidade-metrópole do século XXI - pulsante, linda, aterradora, encantadora, vertiginosa, desafiante, sempre surpreendente.
Como gosto de repetir, sinto-me para sempre aprendiz.
2 comentários:
aimador seu texto NAther, parabéns!
interessante Nather, muita coisa fluindo, aprendizados e trocas. Incrível como não temos acesso a essas informações, tanta coisa acontecendo, tanta coisa invisível!
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