Cheguei no FSM no dia 30 para participar da sessão Cultura e Política. Logo que cheguei pediram-me a credencial e achei estranho, pois nas outras edições isso nunca aconteceu.
Soube então que o controle se intensificou devido a "invasão", assim chamada pela Segurança Pública, que ocorreu no dia anterior. A polícia expulsou de forma violenta, muitas pessoas dos bairros populares próximos da UFPA e da UFRA. Estas pessoas entraram no campus para assistir um show que houve no palco principal da UFRA. Após esse episódio truculento passaram a exigir credenciais de todos, além de cancelar o show de hip hop (grupo de brasileiros e argentinos), que foi realizado em um local turístico no centro, muito menor.
Porém, isso não justificava limitar a participação de quem não pôde se inscrever, afinal, é um Fórum Social, e as programações poderiam ser livres para quem se interessasse...
Um outro mundo é possível para quem tem crachá... velhas contradições, sempre presentes...
Minha experiência foi muito diferente nesse Fórum. Pra começar fiquei hospedada na periferia de Belém, bairro Providência, onde o esgoto fica a céu aberto, a maioria das casas tem grades nas portas e janelas, devido aos constantes roubos e invasões, o calor associado a umidade e o excesso de mosquitos é inexplicável, assim como a pobreza, as notícias de violência e o descaso público.
A hospedagem solidária faz parte da organização do FSM, que cadastrou várias famílias que passaram por uma capacitação. A diária de R$ 30,00 incluía café da manhã. Suco de cupuaçu, tapioca, cuscuz, café muuuito doce, pão de queijo, e frutas típicas estranhamente exóticas faziam parte do cardápio. Dona Raimunda, muito hospitaleira, me levou no domingo de manhã na feira da Praça da república, é mesmo imperdível como me disseram. Apresentou-me seus companheiros do sindicato dos artesãos, além das inúmeras peças de bijouteria, chapéus e bonecos confeccionados com a fibra Tururi, escamas de pirarucu, sementes de açai, buriti, dentre outras matérias primas regionais.
Diariamente diante da sua máquina de costura, adorava falar sobre o que fazia, dentre outros, os bonecos com os instrumentos do Carimbó. Seus três filhos participavam dos serviços diários, um deles tem um grupo de animação cultural e a caçula, filha adotiva, faz Serviço Social na UFPA.
O que vale mencionar ainda, é a alegria de sentir a diversidade ao se caminhar pelo campus da UFPA/UFRA, raras oportunidades em que se encontram quenianos, palestinos, haitianos, brasileiros de todo o canto, dentre muitos outros, mais um motivo para os portões estarem abertos para todos, mas não estavam...
Articulación latinoamericana: cultura y política
30/01/09:
Cultura e política: vídeos sobre os vários campos de luta dos movimentos sociais na América Latina, suas linguagens, sua estética e mensagem política.
Mesa - Participação e cidadania: cultura na América Latina e a experiência dos Pontos de Cultura no Brasil. Vide conteúdos das mesas com Carla.
Mesa - Sociedade civil e sistemas políticos na América Latina
“no governo Lula vimos assanhar a cultura. Se assanhou a cultura” (frase ouvida no FSM)
31/01/2009
Mesa - Arte e transformação social na América Latina
Intervenção artística La Gran Marcha de los munecoñes – Peru
Mesa e lançamento da Revista Metaxis do Centro do Teatro do Oprimido e Vídeo de Moçambique e de Augusto Boal
01/02/2009
Praça da República e assembléias temáticas
Assembléia final
Debaixo de chuva e com os pés na lama, com muito bom humor e entusiasmo tentávamos nos concentrar no relato das diversas assembléias temáticas que ocorreram de manhã. O local foi ficando esvaziado, pois as relatorias eram exaustivas, muito detalhadas e maçantes. Lembro-me de duas pessoas apenas que evocaram a participação por meio de interações com o público.
Embora o FSM seja um espaço onde se encontram pessoas que vem criando e manifestando rupturas ao que já está estabelecido e hegemônico, ainda se realizam assembléias tradicionais, que muitas vezes desmobilizam em vez de atiçar e criar um elo maior.
Apesar disso, acredito nos processos, nas pessoas e no que estes encontros possibilitam e transformam. Sintonias que aos poucos se tornam ressonâncias, contra a corrente mercantilizadora e homogeneizante. Mas fica mais um desafio para nós, de tornar esses espaços e momentos mais criativos, transgressores, sensíveis e propositivos. Que possam irromper a cena política, instalando novas dinâmicas, formas de organização coletiva e linguagens.
Soube então que o controle se intensificou devido a "invasão", assim chamada pela Segurança Pública, que ocorreu no dia anterior. A polícia expulsou de forma violenta, muitas pessoas dos bairros populares próximos da UFPA e da UFRA. Estas pessoas entraram no campus para assistir um show que houve no palco principal da UFRA. Após esse episódio truculento passaram a exigir credenciais de todos, além de cancelar o show de hip hop (grupo de brasileiros e argentinos), que foi realizado em um local turístico no centro, muito menor.
Porém, isso não justificava limitar a participação de quem não pôde se inscrever, afinal, é um Fórum Social, e as programações poderiam ser livres para quem se interessasse...
Um outro mundo é possível para quem tem crachá... velhas contradições, sempre presentes...
Minha experiência foi muito diferente nesse Fórum. Pra começar fiquei hospedada na periferia de Belém, bairro Providência, onde o esgoto fica a céu aberto, a maioria das casas tem grades nas portas e janelas, devido aos constantes roubos e invasões, o calor associado a umidade e o excesso de mosquitos é inexplicável, assim como a pobreza, as notícias de violência e o descaso público.
A hospedagem solidária faz parte da organização do FSM, que cadastrou várias famílias que passaram por uma capacitação. A diária de R$ 30,00 incluía café da manhã. Suco de cupuaçu, tapioca, cuscuz, café muuuito doce, pão de queijo, e frutas típicas estranhamente exóticas faziam parte do cardápio. Dona Raimunda, muito hospitaleira, me levou no domingo de manhã na feira da Praça da república, é mesmo imperdível como me disseram. Apresentou-me seus companheiros do sindicato dos artesãos, além das inúmeras peças de bijouteria, chapéus e bonecos confeccionados com a fibra Tururi, escamas de pirarucu, sementes de açai, buriti, dentre outras matérias primas regionais.
Diariamente diante da sua máquina de costura, adorava falar sobre o que fazia, dentre outros, os bonecos com os instrumentos do Carimbó. Seus três filhos participavam dos serviços diários, um deles tem um grupo de animação cultural e a caçula, filha adotiva, faz Serviço Social na UFPA.
O que vale mencionar ainda, é a alegria de sentir a diversidade ao se caminhar pelo campus da UFPA/UFRA, raras oportunidades em que se encontram quenianos, palestinos, haitianos, brasileiros de todo o canto, dentre muitos outros, mais um motivo para os portões estarem abertos para todos, mas não estavam...
Articulación latinoamericana: cultura y política
30/01/09:
Cultura e política: vídeos sobre os vários campos de luta dos movimentos sociais na América Latina, suas linguagens, sua estética e mensagem política.
Mesa - Participação e cidadania: cultura na América Latina e a experiência dos Pontos de Cultura no Brasil. Vide conteúdos das mesas com Carla.
Mesa - Sociedade civil e sistemas políticos na América Latina
“no governo Lula vimos assanhar a cultura. Se assanhou a cultura” (frase ouvida no FSM)
31/01/2009
Mesa - Arte e transformação social na América Latina
Intervenção artística La Gran Marcha de los munecoñes – Peru
Mesa e lançamento da Revista Metaxis do Centro do Teatro do Oprimido e Vídeo de Moçambique e de Augusto Boal
01/02/2009
Praça da República e assembléias temáticas
Assembléia final
Debaixo de chuva e com os pés na lama, com muito bom humor e entusiasmo tentávamos nos concentrar no relato das diversas assembléias temáticas que ocorreram de manhã. O local foi ficando esvaziado, pois as relatorias eram exaustivas, muito detalhadas e maçantes. Lembro-me de duas pessoas apenas que evocaram a participação por meio de interações com o público.
Embora o FSM seja um espaço onde se encontram pessoas que vem criando e manifestando rupturas ao que já está estabelecido e hegemônico, ainda se realizam assembléias tradicionais, que muitas vezes desmobilizam em vez de atiçar e criar um elo maior.
Apesar disso, acredito nos processos, nas pessoas e no que estes encontros possibilitam e transformam. Sintonias que aos poucos se tornam ressonâncias, contra a corrente mercantilizadora e homogeneizante. Mas fica mais um desafio para nós, de tornar esses espaços e momentos mais criativos, transgressores, sensíveis e propositivos. Que possam irromper a cena política, instalando novas dinâmicas, formas de organização coletiva e linguagens.
Um comentário:
Istigante a leitura carla! Me lembrou muito do que venho falando desde minha monografia sobre os movimentos sociais reproduzindo velhas práticas vanguardistas...deveriamos discutir mais a fundo o forum.
abraço
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