Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2009.
III curso de extensão, educação, patrimônio cultural e cidade - Rocinha
parceria: PROEX, Laboep UFF, Ciespi, Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha, IBRAM, IPHAN, MINC
Museus comunitários – Mario Chagas - IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus)
MUSEUS COMUNITÁRIOS, PROPOSTAS E EXPERIÊNCIAS.
Relato do debate da tarde de 30/10 - Carla Daniel Sartor
O debate sobre memória e museus comunitários não é novo na Rocinha, como um dos marcos temos o levantamento realizado pelos moradores na década de 1980, consolidado no livro Varal de Lembranças[1]. O Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha[2] foi mais um estímulo, dentre outros, para retomar esse processo, expressando a memória com a construção e as lembranças de brinquedos e brincadeiras, de prosas com os mestres de saberes orais, os Griôs, com as oficinas lúdicas, dentre outros, afirmando um, dentre tantos outros Pontos de Cultura existentes. Os diálogos continuaram no Fórum dos Pontos de Cultura, na parceria com o Laboep/UFF, no Fórum de Cultura da Rocinha, nos diversos diálogos com o IBRAM, com o IPHAN, com o MINC, com os moradores, e diversos outros parceiros, agregando aliados e desejos.
O direito e o exercício a memória em diferentes lugares foi o que ressoou no debate de hoje. Memórias e esquecimentos são produzidos, podem aprisionar , mas também libertar, falamos de um Museu não somente enquanto coleção, mas como espaço de relações entre as pessoas, entre patrimônio material e imaterial, de outras formas de Museu que expressam múltiplas vozes, como nos trouxe Mario Chagas do IBRAM.
O museu possibilita a reapropriação das coisas, pode ser conservador ou libertário, e pode também chamar a atenção para determinados problemas e possibilidades. Mário nos falou da vontade de memória, vontade de patrimônio e vontade de museu, porém ressaltou que, essas vontades não correspondem diretamente ao direito, tendo que ser conquistado e exercido. Assim, fomos levados a pensar o Museu enquanto dinâmica da própria vida. Museu enquanto movimento, pretexto e ferramenta para a viabilização de fins importantes para as localidades.
"Falamos de um mesmo museu, Maré, Pavão/Pavãozinho/Cantagalo, Horto e Rocinha", afirmou Carlinhos Vieira do Museu da Maré. Ou ainda, segundo Antonia do Museu de Favela, que diz que o Museu é todo o território, é um Museu de percurso. Já Emília do Horto, considera que o Museu local pode ser um importante instrumento de reconhecimento da comunidade, dos moradores, explicitando conflitos fundiários e dificultando desapropriações. Firmino apresentou a proposta da Rocinha, que pretende valorizar a imensa diversidade da Rocinha e o "chá de museu" que vai recolher histórias e objetos para o projeto.
Vários momentos compõem o percurso na Rocinha, momentos de “parada”, de recuos, mas também de avanços, portanto, seguimos em processo e em conexão com o coletivo. Então... temos mais motivos para nos encontrar: dia 28 de novembro é o lançamento do Museu da Rocinha!!!
[1] Organizado por Lygia Segala, Laboep/UFF.
[2] Que nasce das atividades realizadas desde 1987 na brinquedoteca Peteca/CAMPO e do Projeto Rede Brincar e Aprender /CIESPI desde 2002.
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3 comentários:
bacana, interessante ler isso em contraponto a toda a noção de historia que vem sendo disseminada pelos projetos, em especial do PAC.
Mas dia 28 é certo mesmo??
É sim, em breve o Firmino vai mandar maiores informações. A proposta é lançar o projeto, começar, provavelmente haverá uma atividade de grafitagem, algo assim, bjs
ih! o lançamento do museu mudou pra janeiro, aviso quando souber o dia certinho... atrasos de projetos, verba que não chega... mas vai rolar grafite sim, bjs
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