quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Museu Vila do Horto

Foto tirada por Vicente

O Horto é mais que um anexo do Jardim Botânico. É mais que um corredor de passagem, restrito às ruas Pacheco Leão e Estrada D. Castorina. É uma localidade com uma rica história, constituída e protagonizada, no início do século XIX, por escravos, imigrantes espanhóis, italianos, portugueses e seus descendentes. Ainda hoje, brincadeiras infantis desenterram indícios desse passado como moedas antigas, restos de louça, grilhões que evocam tempos escravagistas. Um olhar atento percebe ao caminhar pelas ruas vestígios desta história, presentes na arquitetura das casas, no verde preservado, no ritmo mais tranqüilo do modo de vida dos moradores, nas rodas de conversa nas calçadas, na algazarra das crianças na rua. Uma cidade do interior em pleno coração de uma metrópole. (Jornal Vozes do Horto, ano 1, no1, 2004)

Desde antes do Rede, além de brincar e contar histórias pelas localidades (Ladeira da Margarida, Caxinguelê, Grotão, Balança) e pelas escolas do Horto, defendo o direito de brincar associado a ao direito de moradia. Há anos os moradores lutam pelo direito de permanência nesse local. São processos, discussões sem fim e inúmeros interesses políticos e econômicos. As negociações com o parque Jardim Botânico esbarram sempre em impasses que parecem insuperáveis. Podem pessoas morar em plena floresta e em área que, em princípio, é do Jardim? Existe acordo possível para a convivência harmônica entre flora, fauna, rios, ciência, história, educação e conversas de janela, crianças brincando na mata, fogueira na porta, festas juninas, futebol, bossa-nova e pagode? Existe uma proposta em curso elaborada por um arquiteto morador da área que mostra que é possível sim. É a Eco Vila do Horto.


Em tempos de PAC e através de minhas andanças com o Ponto de Cultura da Rocinha, conheci o Mário Chagas, Coordenador da Política Nacional de Museus. Nas conversas sem fim com Firmino e Vicente, falamos sobre o conceito de eco-museu e museu a céu aberto. Claro! Com a ajuda do Firmino, apresentei o Mário ao Horto, sua história e seus moradores. Hoje a discussão foi ampliada para a possibilidade de criação do Eco-Museu Vila do Horto.

Além de participar das reuniões com o Mário, moradores, arquitetos e representantes do Jardim, tenho conversado com as professoras das escolas públicas locais na direção de um projeto político pedagógico que inclua o espaço fora da escola, e convidando-as a participar da construção desse museu. No mês de setembro fiz várias caminhadas com as turmas de crianças. O que acontece nas caminhadas:

Professora encontrando ex-aluno; mãe de aluno abrindo o portão do quintal para mostrar tomateiro e a vista para o Corcovado e o Pão de Açúcar; morador oferecendo coleção de moedas antigas para estudo; morador que cuida de seu jardim falando sobre as flores; crianças fora do horário da escola recebendo os colegas em horário escolar; informações sobre senzala, fuga de escravos, fazendas, aqueduto; bolas de sabão, desenhos na terra, desenhos de mapas, cabo de guerra, brincadeiras de roda e de pular corda, etc.etc.etc.

Onde conseguiremos chegar, não sei. Mas está sendo bacana a oportunidade de ser uma das articuladoras desse momento.

Um comentário:

Bolinho disse...

bacana essa idéia de "eco museu". Parece que atiça a molecada a conhecer mais seu território e cultura própria.
Jóia!
abraço
Alexandre